O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, que atua na defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), disse nesta quinta-feira (7) que a PF (Polícia Federal) apreendeu um “celular, um tablet e documentos” na casa do parlamentar, durante a realização da nova fase da operação Compliance Zero. O político foi um dos alvos da operação.
O advogado de Ciro define a medida como “invasiva”, mas diz que a busca e apreensão “foi absolutamente tranquila”. Segundo ele, os itens detidos não geram preocupação.
A residência de Ciro foi alvo de busca e apreensão da PF após o parlamentar ser indicado como destinatário central de vantagens indevidas e como agente público que teria utilizado o mandato parlamentar a favor de Vorcaro.
O objetivo da quinta fase da operação, que investiga crimes relacionados ao antigo Banco Master e Daniel Vorcaro, é aprofundar investigações sobre um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Ao todo, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, nesta quinta fase da operação.
Investigação
A Policia Federal apontou, em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), que Ciro Nogueira recebeu “vantagens indevidas” de Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.
Segundo o documento, o parlamentar teria apresentado uma emenda com objetivo de ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo investigadores, o instrumento teria sido elaborado com participação de integrantes do Banco Master.
No documento que autoriza a operação, Raimundo Nogueira aparece “individualizado como agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar do senador”.
Nota da defesa de Ciro Nogueira
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.”



