A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (22), em Nova Mutum, um homem de 35 anos suspeito de assassinar a mulher trans Betina Barros, de 33 anos. A vítima foi encontrada sem vida em dezembro de 2025, após desaparecer depois de aceitar um encontro marcado por meio de uma plataforma digital.
De acordo com as investigações, Betina foi contratada para um programa na noite de 1º de dezembro e, desde então, não foi mais vista. A irmã da vítima registrou o desaparecimento dois dias depois. Horas após o registro da ocorrência, o corpo foi localizado em uma região próxima a uma faculdade da cidade.
A perícia apontou que Betina morreu em decorrência de um traumatismo craniano causado por disparo de arma de fogo. A motocicleta utilizada pela vítima foi encontrada abandonada em uma estrada vicinal nas proximidades do local onde o corpo estava. Documentos, cartões e dinheiro permaneciam no veículo, mas o celular havia desaparecido.
Durante as investigações, a Polícia Civil descobriu que outras duas mulheres trans receberam mensagens do mesmo número utilizado para contatar Betina na noite do crime. Segundo os relatos, o homem insistia para que os encontros ocorressem em locais isolados. Desconfiadas da situação, ambas recusaram o atendimento.
Os investigadores identificaram que o número utilizado estava vinculado ao suspeito. Inicialmente, ele alegou que já não utilizava a linha telefônica. No entanto, novas diligências reforçaram as suspeitas. Em uma tentativa de nova intimação, os policiais encontraram o homem fugindo pelos fundos da residência.
No imóvel foram apreendidos um aparelho celular e uma caixa vazia de munição que pode ter relação com a arma utilizada no crime. Além disso, imagens de câmeras de segurança mostraram o investigado em atitudes consideradas suspeitas logo após o assassinato.
Segundo a Polícia Civil, um dos registros mostra o suspeito lavando cuidadosamente os pneus de sua motocicleta durante a madrugada, o que pode indicar uma tentativa de eliminar vestígios da cena do crime. Dias depois, ele também teria procurado uma empresa especializada para restaurar completamente o aparelho celular, com o objetivo de apagar possíveis evidências.
As investigações ainda apontaram que o homem possuía cadastro na mesma plataforma utilizada para contratar programas sexuais e que seu perfil era direcionado especificamente à categoria de mulheres trans. Foi por meio desse perfil que ele entrou em contato com Betina e também com as outras duas possíveis vítimas.
Após reunir os elementos do inquérito, a Polícia Civil representou pela prisão temporária, busca e apreensão e coleta de material genético do investigado. As medidas foram autorizadas pela Justiça e cumpridas nesta segunda-feira.
O suspeito foi localizado em um canteiro de obras na zona rural de Nova Mutum, onde trabalhava, e não ofereceu resistência à prisão.
A motivação do crime ainda é investigada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Nova Mutum.




