As despesas do governo federal atingiram R$ 2,633 trilhões no acumulado de 12 meses até maio, aproximando-se do maior nível da série recente, registrado em novembro de 2020, durante o auge da pandemia de Covid-19, quando os gastos da União chegaram a R$ 2,822 trilhões. Os números foram divulgados em levantamento da CNN Brasil.
A comparação chama atenção porque, em 2020, o país enfrentava uma situação excepcional, marcada por medidas emergenciais, auxílio financeiro à população, reforço no sistema de saúde e impactos econômicos provocados pela pandemia. Agora, mesmo sem um cenário de calamidade semelhante, o volume de despesas do governo federal voltou a se aproximar daquele patamar histórico.
Segundo a reportagem da CNN Brasil, a maior pressão sobre as contas públicas vem das chamadas despesas obrigatórias, especialmente os gastos com Previdência Social e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Apenas a Previdência consumiu R$ 1,117 trilhão nos últimos 12 meses, valor superior ao dobro das despesas com pessoal, que somaram R$ 440,1 bilhões.
O crescimento dessas despesas levou o governo a ampliar o bloqueio de recursos no Orçamento para R$ 23,7 bilhões, em uma tentativa de cumprir as regras do arcabouço fiscal. Especialistas ouvidos pela CNN avaliam que a expansão dos gastos obrigatórios reduz cada vez mais o espaço para investimentos e aumenta o engessamento das contas públicas.
Economistas também alertam que, caso o ritmo de crescimento das despesas permaneça acima do limite previsto pelas regras fiscais, será necessário discutir novas medidas estruturais para conter o avanço dos gastos e preservar o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.




